Hatfield (Inglaterra)

No dia 30 de maio de 2019, saindo um pouquinho da Itália, fomos visitar nossa amiga Betina e seu namorado em Hatfield, próximo a Londres. Duas horas de trem de Mantova à Milano Centrale e mais um percurso de 40 minutos até Bérgamo. Ali na Estação, fizemos um lanche no lotado McDonald’s e um trajeto de 20 minutos num ônibus especial direto ao aeroporto, onde compramos chocolates para presentear nossos amigos e anfitriões. Voando pelo Ryanair (18:40) sobrevoamos os Alpes Suíços. Sabe aquela hora em que você simplesmente para e não pensa em mais nada? Fiquei encantada com a vista que se descortinou, através da pequena janela do avião. Nem sei dizer quantos minutos foram, mas foi um momento mágico que não tem palavras para descrever, apenas dizer que quase todos os passageiros estavam nas janelinhas observando e filmando. Acho que ainda não vi algo mais lindo…

É muita beleza. Imagens guardadas na minha memória

Nossos amigos foram nos buscar no aeroporto e como no dia seguinte, eles foram trabalhar, eu e o Le fomos “turistar” em Londres. Saímos às 9 horas, de Uber até a Estação e pegamos o trem para a Estação King Cross. Fizemos caminhada de 40 minutos no Hyde Park e fomos até o Palácio Kensington, onde lanchamos na área externa.

Voltando pelo parque, passamos no Palácio de Buckingham e pelo Green Park.

Ainda a pé até Westminster, fotos do Big Ben (sem foto) que estava coberto devido aos trabalhos de restauração. Pegamos metrô até Tower Bridge, sentamos para apreciar e descansar. Visitamos a Trafalgar Square, duas ou três lojas de artigos esportivos e finalizamos com um café no Starbucks (nosso queridinho). Retorno à Estação King Cross para pegarmos o trem para casa. À noite, fomos jantar num restaurante brasileiro Terra Brazil Brazilian Rodizio. O cardápio apresenta a nossa típica comida muito boa e que supre a saudade que os brasileiros, sejam turistas ou moradores sentem do nosso feijão com arroz, porco a pururuca, pão de queijo, farofa, torresmo, banana à milaneza, enfim, um cardápio bem vasto.

Meus amigos moram em um bairro muito tranquilo, a 40 minutos de Londres. As fotos abaixo são da casa e bairro onde estivemos hospedados.

Iniciamos o dia seguinte com um farto e delicioso café e depois de ir ao correio, farmácia, feira e mercado, fomos conhecer Cambridge, já na hora do almoço.

O passeio de barco

Na chegada à Cambridge, fomos lanchar no Revolution Cambridge e depois fizemos o passeio de barco pelo River Cam. Alugamos um barco de madeira (com os coletes) num local agradável, com muitas pessoas sentadas nos bares à margem do rio, na grama, aproveitando o dia ensolarado e de temperatura agradável. Optamos por não ir com guia, então o Le o James remaram com o bastão, se bateram um pouquinho até pegar o jeito, mas depois, aproveitamos. Passamos nos fundos dos prédios de escolas e faculdades e fizemos até uma breve parada.

Finalizamos o passeio com um chopp no Pub The Anchor e depois fomos caminhar pelas ruas passando por igrejas, escolas, universidades e prédios maravilhosos. Abaixo, as duas primeiras fotos são da feira, próximo a casa da minha amiga. As outras são do passeio em Cambridge.

O chá inglês

Não foi possível tomar o tradicional chá inglês, aquele com os famosos doces na torre tripla, pois o local estava fechado, então fomos no Prezzo Ristorante e saboreamos a única opção disponível, pois já era final de tarde. Mas valeu super a pena. Chá delicioso e experimentei o famoso bolinho que aparece ali na foto (massa doce com uva passa) que dizem ser o preferido da Rainha. Mas o toque especial mesmo é passar o Clotted Cream, um tipo de manteiga de nata, tipicamente inglês e acompanha também uma geleia.

Finalizamos nosso sábado com comida chinesa, entregue em casa. No dia seguinte, tivemos um domingo tipicamente cinzento e nosso breakfast inglês (foto abaixo) foi próximo do meio dia, depois optamos por passear no shopping e à noite, jantamos frango com molho inglês.

Café preparado pelo amigo James

No dia seguinte, às 04:30 da manhã, hora do adeus e rumo ao aeroporto. Minha amiga nos presenteou com uma caixa de lembranças com lápis, maquiagem, chá, bolacha e um cartão, que só vimos quando chegamos aqui. No aeroporto, um café no Harris Hole e no Duty Free, compramos três toblerones para dar fim nas cobiçadas e caras libras esterlinas. Depois de 2:15 de voo, chegamos em Bérgamo.

Um passeio rápido, mas bem aproveitado, pois além de matar as saudades dos amigos, conheci mais uma cidade universitária inglesa, ampliando minha bagagem de conhecimentos.

Conhecendo as delícias da Itália

Sabe aquelas refeições rápidas, mas com experiência gourmet? Foi assim, comendo fast food, que experimentei uma das massas mais tradicionais da Itália, a Piadina. Típica da região Emilia-Romagna, a piadina é uma massa simples, como a de pizza, porém mais fina, que recebe tipos diferentes de recheios, feitos a partir de queijos selecionados, molhos e legumes frescos e carnes curadas italianas, que propicia um sabor incrível ao paladar. O mais comum é a piadina de queijo e presunto cru, mas há opções vegetarianas também, com abobrinha, berinjela, rúcula e outros. Há também massas integrais, que foram as minhas escolhas. Uma experiência única, que só tive o prazer de saborear, poucos dias antes do meu retorno para o Brasil.

Sorvete ou gelato?

Tem diferença sim gente, não tem como negar. O gelato da Itália é algo surpreendente. Eu AMOOO e olha que não sou fã de sorvetes, mas os gelatos italianos me pegaram pelos olhos e pelo estômago. E a diferença é comprovada pela sua composição, na cremosidade, tem pouquíssima gordura e açúcar, não contém conservantes e é feito com ingredientes fresquíssimos, fazendo toda a diferença, para mim. O gelato é tão popular por lá, que é apreciado até nos dias mais frios de inverno. Em Bolonha existe o Museu do gelato, que é também uma fábrica de equipamentos para sorvetes e também escola que oferece cursos para o mundo inteiro. Não tivemos tempo para visitar este espaço, na ocasião da nossa visita por lá. Em San Gimignano, existe a Gelateria Dondolli que já foi eleita como a melhor do mundo por quatro vezes consecutivas. Tem um post que comento um pouquinho sobre esta gelateria, pois tivemos a oportunidade de conhecê-la.

Seu nome é Betina

Os amigos, mesmo ausentes, estão presentes.

Cícero

Nesta tarde cinzenta de outono, resolvi escrever sobre uma pessoa que fez parte da minha vida, durante a estadia na cidade de montanha. Minha amiga Betina que já a mencionei algumas vezes em outros posts. Com as palavras do grande filósofo romano Cícero, confirmo que minha amiga, apesar da distância, está presente nos meus pensamentos, diariamente. Coincidência ou não, (só atentei para a data, após o início do texto), há exatamente um ano atrás, nós estávamos na sua casa em Hatfield, para uma visita, desde que nos despedimos da montanha.

No grupo denominado cidadania, criado pela nossa assessora, ela perguntou se alguém gostaria de ir à missa. Marcamos encontro em frente ao comune, num dia de friaca nervosa e fomos à igreja. Nossa amizade começou assim, chegando aos poucos. Esse foi nosso primeiro contato, vindo na sequencia uma bela amizade. A comemoração do Natal foi na sua casa (a poucos metros da minha) e a minha festa surpresa de aniversário também. Foram muitos almoços, cafés, jantas e alguns passeios. Numa cidade distante e longe dos nossos familiares, fomos companhia uma para a outra. Nos víamos quase todos os dias, na casa dela, na minha e nos passeios. Na semana em que Le e Ana (esta moça morou comigo) viajaram, ficamos ainda mais próximas. Foram muitas conversas francas, sem armaduras e sem medo de expressar opiniões. E amizade é isso, é não usar máscaras, é ser verdadeiramente quem somos.

Esta foto, é do prédio em que ela morou, primeiro andar à direita. Saudades dos nossos encontros! Comendo, conversando, rindo, assistindo e ouvindo clipes musicais italianos. Ah e o seriado Tu, que “maratonamos” em dois dias de neve e muito frio.

Betina é uma pessoa linda por dentro e por fora. Uma moça que poderia chegar em determinado lugar e causar impacto por sua beleza, porém é a sua humildade, que a torna ainda mais bela. Uma moça que tem luz própria, brilha sem precisar de esforço, simples e de uma generosidade imensa, sempre disponível para ajudar quem precisar. Cativa com sua voz meiga e suave. Muito alegre e às vezes, parece distante, mas eu a entendo. Sendo jovem, deve pensar muito no seu futuro. Batalhadora, pois aos 23 anos, fala inglês e seu sonho desde menina, era morar na Inglaterra, país que ama de paixão, segundo suas palavras. Por isso, foi estudar e buscar o reconhecimento da sua cidadania italiana a fim de abrir portas para o seu futuro, correu atrás dos seus sonhos e vem realizando-os com sua força e determinação. Desde que saiu da Itália, está morando na Inglaterra e dia a dia, vem trilhando caminhos de aprendizados. Betina é uma pessoa de coragem, se teve medo durante este percurso, soube dominá-lo e isso a faz uma grande mulher. Uma pessoa iluminada e de fé, pois várias vezes, ela me disse que diante de qualquer problema, devemos entregá-lo nas mãos de Deus e confiar nele na certeza que tudo se resolverá. Sábias palavras para uma jovem começando sua vida, mesmo longe da família, mas alicerçada pela sua fé. Digo com certeza, que foi uma das melhores pessoas que já conheci, a carregarei para sempre no meu coração e não esquecerei os momentos que passamos juntas na nossa amada Itália.

“Longas amizades continuam a crescer, mesmo a longas distâncias.”.

William Shakespeare

Viajar

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu

Foi nos versos de Fernando Pessoa, que em período de quarentena, viajei no tempo, revendo fotos de diferentes viagens, (Inglaterra, França, Itália, Portugal, Suíça e Espanha) que me trouxeram muitas recordações. Meu Deus, como é BOOOOMMM viajar. Então me debrucei um pouco sobre isso e comecei a observar reações diferentes de alguns colegas. Por que será que viajantes tem diferentes visões do que é a ação “viajar”? Uma colega sente o prazer pela viagem, mas chegando no destino, já pensa na sua casa e no seu retorno; outra, vai por ir, para dizer que foi, mas sem ter aquela expectativa do que acontecerá no percurso; outra vai à empolgação. De maneira geral, as pessoas querem viajar, mas não o fazem por diferentes razões: falta de tempo, de grana, barreira linguística e acabam deixando seus sonhos de lado. Aos 54 anos, aprendi que nossos sonhos podem e devem ser realizados sim, não importa o quanto precisemos nos esforçar. É preciso ter a forte convicção do nosso desejo e gritar aos quatro cantos que é possível. Aprendi a planejar minhas viagens e quando tenho um projeto, coloco todo meu coração e entro de cabeça na sua execução. Planejamento, pesquisa, economia e preparo psicológico. Sim, porque viajar para outros países haverá momentos de pedir informações em pontos turísticos, hotéis, restaurantes, aeroportos, enfim… e como não domino nenhuma língua estrangeira, apenas o básico de inglês e italiano e intermediário de francês, então é preciso preparar-se psicologicamente também, pois nunca sabemos as reais situações que passaremos em terras distantes da nossa. E quem não tem fluência, na hora de comunicar-se, vem o famoso “travei na hora de falar” ou “ai meu Deus, como é isso mesmo”? Mas isso não pode jamais, ser um empecilho para a realização dos nossos sonhos. Não é a toa que os brasileiros viajam muito, não é mesmo? Porque não deixam seus sonhos de lado, vão em frente, mesmo que seja com mímicas ou com o celular nas mãos com o google tradutor. Vale tudo!!! Comecei com Fernando Pessoa e termino com uma bela citação do Amyr Klink. Então chega de sonhos e bora viajar?

Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir.” (Amyr Klink)

Bréscia (II)

Dia 24 de maio, dia de turismo em Bréscia. Cidade pequena, então fizemos tudo a pé, visitando a maior área arqueológica preservada do Norte da Itália. Na ordem das fotos estão os monumentos que pertencem à área arqueológica: Igreja Santa Maria da Caridade, construção medieval, um pequeno parque arqueológico com esculturas de animais, Templo Capitollino (na Praça do Foro Romano e dedicado ao Imperador Vespasiano por volta de 80 d. C.), e museu Santa Giulia (patrimônio da Unesco).

Foram dois dias de turismo nesta cidade, onde pudemos conhecer um pouquinho mais. Quando estávamos na montanha, íamos somente até a Estação para ir ao mercado ou ao shopping. Outro ponto turístico e talvez o mais importante, é o Castelo de Bréscia, que já havíamos conhecido no dia 25/02, no retorno da nossa visita ao Lago di Garda. As fotos deste Castelo podem ser vistas no post “Bréscia: tour rápido”.

Mantova

Enquanto aguardávamos a entrega do documento de identidade (pelo correio), aproveitamos para conhecer Mantova, Capital da Cultura 2016, uma das províncias com melhor qualidade de vida, segundo estudo da Universidade La Sapienza e Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO. Quer mais? A escolha desta cidade foi pura e simplesmente pela distância e pelo pouco tempo que tínhamos. Tivemos sorte, pois a cidade reúne belezas históricas como palácios e praças medievais, além de belezas naturais e uma excelente gastronomia.

Conhecendo o centro histórico, com as atrações turísticas todas ali, bem juntinhas: praças, museus, mercado, igrejas e também as lojinhas de souvenires, restaurantes e sorveterias.

Abaixo, visitamos a Rotonda di San Lorenzo (do séc. XI), a igreja redonda que teve a construção influenciada na Igreja do Santo Sepulcro de Jerusalém. Igreja muito simples, toda em pedra, sem o luxo de decoração que apreciei em outras igrejas.

A Basílica di S. Adrea, finalizada em 1494, é uma grande obra que devido a sua localização, se destaca com as outras construções em sua volta. Igreja bem decorada e um silêncio que faz bem ao espírito.

O Duomo, ou a catedral (de 1761) fica na Piazza Sordello, principal praça da cidade, com todos os pontos turísticos ao seu redor. Não é uma grande igreja em extensão, vários estilos arquitetônicos em suas capelas e altares.

Na nossa caminhada, conhecemos as belezas naturais da cidade, visitando um lago e apreciando os barcos de passeio, que não estavam em funcionamento, por ser baixa temporada.

Dia de visitar o parque, olha eu ali contemplando o busto do famoso poeta italiano Virgílio (ele era de Andes, cidade vizinha de Mantova), autor do clássico poema épico Eneida. Quantos livros deste autor já passaram pelas minhas mãos …

Vaticano e mais visitas à igrejas (Roma)

O dia 06 de março de 2019, foi especial: dia de irmos à famosa Audiência Papal. Fiz todo o procedimento de agendamento pela internet, antes de viajar, conforme orientação no site oficial da Prefeitura da Casa Pontifícia. A fim de conseguir um bom lugar para ver o Papa, pegamos o metrô antes da 8 da manhã, pois tínhamos que pegar nosso convite num local específico. Mas chegando lá, a exemplo da quarta-feira e sendo quaresma, esta audiência estava aberta ao público em geral, ou seja, qualquer pessoa poderia participar, mesmo que sem o necessário agendamento de três meses de antecedência. Passamos pelo Raio X e nos acomodamos nas cadeiras pertinho dos cordões de isolamento. A audiência começou exatamente às 10 horas, com o Papa passando entre os corredores no papa-móvel, acompanhado dos seus seguranças. Não tem como descrever a emoção de vê-lo passando bem pertinho, sorrindo e acenando para as pessoas. Depois ele sentou-se junto com a comitiva e deu a sua benção. Ao final, ainda ficamos por ali, observando de longe, uma movimentação de um grupo de crianças, perto do Papa. Muitas autoridades também estavam lá. Ao final, formou-se uma longa fila para visitar a Igreja, então preferimos deixar para o dia seguinte, ocasião que voltaríamos para fazer uma segundo passeio.

Optamos por outros passeios, após a parada para o café e compra de souvenires, nas barracas bem ali pertinho da Praça São Pedro. Fomos visitar a Basílica Santa Maria del Popolo, onde tem a Capela Chigi, aquela que aparece no filme “Anjos e Demônios”, mas estava em reforma e com horário reduzido, portanto fechada naquele momento em que passávamos por lá.

Piazza Del Popolo

Saindo da Praça São Pedro, fomos caminhando e fazendo algumas fotos nos arredores do Castelo Santo Ângelo.

Castelo do ano de 123 d. C, quase 2000 mil anos, recebe anualmente milhares de turistas. É uma construção grandiosa, às margens do Rio Tibre. Podemos ver no alto do Castelo a estátua do Arcanjo Miguel. A ponte Santo Angelo que leva o turista exatamente na frente do castelo tem 10 colunas com anjos. Para saber mais sobre os anjos desta ponte, acesse https://historiacomgosto.blogspot.com/2019/09/todos-os-anjos-da-ponte-de-santo-angelo.html.

Neste dia, fiz questão de levar meus pais no Restaurante Il Padellacio, perto da Estação Termini, então caminhamos muito. Foi neste restaurante, que na viagem de 2015 juntamente com minhas manas, conhecemos o verdadeiro Carbonara. Na época, gostamos tanto que fomos no mínimo três vezes saborear esta massa. O restaurante foi reformado, está mais elegante, porém, aquele carbonara de 2015, estava muito melhor.

Visitamos a Basílica Santa Maria Maggiore (uma das quatro basílicas papais) e ao entrar numa das suas capelas, havia uma missa fúnebre (em homenagem a alguém do coro de música). Ficamos apenas alguns minutos e depois fizemos a visita às demais capelas e seu interior. Belíssima com seus mosaicos e colunas, com diferentes estilos arquitetônicos devido à diferentes épocas desde sua construção, restauros e reformas.

Na sequência, fomos à Igreja Santa Maria della Vitória, uma igreja linda, porém bem menor que a anterior. É uma igreja em estilo barroco que teve sua construção no início de 1600. Olhando de fora e pela pequena porta, parece ser uma igreja muito simples, mas tem uma arquitetura muito rica. A exemplo da Basílica Santa Maria del Popolo, esta igreja também apareceu no filme “Anjos e Demônios” e por isso, Lê fez questão de conhecê-la.

Curiosidades e diferenças

Após ter finalizado meus relatos de viagem, e relendo depois, me lembrei de alguns itens que valem a pena ser registrados.

Banheiros

Os banheiros pelos menos em todos os lugares que andei, tem duchas higiênicas e seus famosos “bidês”. É… parece que é imprescindível para fazer sua higiene, em determinados momentos. E o nosso conhecido box, por lá quase não existem. Na nossa casa, não tinha box, apenas banheira com chuveiro de mão e suporte para o encaixe. Muitas banheiras com duchas, apenas. Outro fato diferente aqui do Brasil, é que o papel higiênico deve ser jogado no vaso sanitário, pois a tubulação é adequada para este objetivo. Não existe cesto de lixo ao lado do vaso. Opa, eles existem sim, mas para jogar outros objetos como cotonetes, absorventes higiênicos e outros.

Você já ouviu falar de banheiro turco? Eu nunca, até o dia que após uma parada para lanche, fui ao banheiro e me deparei com isso:

Pois é … estranho né? Imagine o desconforto para fazer xixi agachada neste buraco? Para a descarga, basta acionar aquela cordinha, sabe? Parece coisa antiga, mas não é. Num restaurante mais moderno (não lembro em qual cidade) também encontrei um desse aí. Pelo nome, deve ser bastante comum, na Turquia.

As geladeiras são embutidas em armários (na casa não era) e sabe o escorredor de louças? Eles são embutidos dentro dos armários sem fundo, acima da pia. Assim, você lava a louça, põe no escorredor e a água já escorre dentro da pia. Fecha o armário e pronto, a cozinha está limpa.

Na minha casa, também não tinha tanque, somente a máquina de lavar no banheiro. Eles são raros por lá.

Lixo e lixeiras

A separação do lixo é obrigatória. Na minha casa tinha um folheto explicando como é o funcionamento da separação e coleta de lixo. Subindo a nossa rua, havia um espaço destinado a 5 grandes “recipientes” onde o morador joga seu lixo, de acordo com a classificação. São recipientes coloridos e cada cor representa um tipo de lixo: por exemplo, a caixa branca destina-se aos “papéis”, a caixa verde destina-se aos “vidros” e assim vai. As caixas recebem materiais como vidros, papéis, metais, plásticos, orgânicos e indeterminados (cd’s, lâmpadas, etc). O lixo orgânico deve ser acondicionado em sacola biodegradável e esta lixeira especificamente é fechada, necessitando de chave. Após a sua abertura, gira-se uma manivela e abre-se um pequeno local (dentro da lixeira) para o descarte das sacolas.

As lixeiras, a poucos metros da nossa casa.

Certa manhã, da janela da cozinha, observei a retirada do lixo, pelos caminhões, feita da mesma maneira que são retiradas as caçambas de entulho. São pinçadas por um grande gancho e depois de esvaziadas dentro do caminhão, são recolocadas no lugar, para receberem “novos lixos” dos moradores.

E por falar em lixeiras, acreditem se quiserem, tem até lixeira para os detritos dos nossos queridos pets. Verdade, olha aí.

Preocupados com a reciclagem de lixo, as sacolinhas plásticas são vendidas nos mercados. Por isso, cada pessoa leva a sua sacola retornável. Na minha casa haviam algumas, mas nós compramos a nossa. Então cada vez que ia ao mercado, a sacola ia junto. Aqui no Brasil, a sacola que eu trouxe fica esquecida no carro, não temos o hábito de levá-la ao mercado. Falta de consciência ecológica? Não!!! Apenas mudar a cultura.

Pizzas

Cada pessoa pede a sua pizza, que pode ser redonda ou quadrada. A pizza redonda equivale ao tamanho de uma pizza pequena de uns 4 ou 5 pedaços, servida apenas para uma pessoa. Isso mesmo, apenas uma pessoa, acho muito. Claro… depende da fome do ser né. Mas também é bem comum, encontrar pizzas cortadas em quadrados, nas vitrines dos bares e lanchonetes (muitas vezes servida como aperitivos).

Supermercados

Em qualquer supermercado, na hora de comprar frutas, legumes ou verduras, é obrigatório o uso de luvas plásticas descartáveis que normalmente ficam ao lado das balanças de pesagem. O próprio cliente faz a pesagem do seu produto, armazenando nos saquinhos plásticos (como os que temos aqui). Cada produto tem um código e é este que deve ser digitado na balança, para a pesagem. Após digitar o código, sairá uma etiqueta com o valor a ser pago, que deve ser afixado na embalagem.

Trens italianos

O Italo é um trem de alta velocidade, considerado um dos mais modernos do mundo. É o elegante “trem vermelho”, climatizado, com wi-fi e bancos reclináveis, super confortável. Nós compramos a classe prima, com direito a serviço de bordo (eu esperava mais, pelo preço rsrsrsrs). Mesinhas com tomadas, lixeira, bagageiro para malas em cima dos bancos e nos espaços que separam os vagões, monitor explicativo (sobre paradas, horário e velocidade), janelas lacradas com cortinas (se o passageiro quiser dormir), banheiros. A porta do trem é por sensor, um luxo. Uma viagem agradável, de Veneza à Milão que amamos. Meu paizinho quase não acreditava que estávamos a 300 km/h. Ele apreciou muito observar os trens na Estação Santa Lucia e na Estação Milano Centrale.

Mesmo sendo um trem de alta velocidade que pode chegar até 360 km/h, não é necessário chegar na estação com duas horas antes de antecedência. Basta chegar ao local de embarque e apresentar o bilhete que mostra o número do vagão e da poltrona. Não é necessário validar, pois uma pessoa do serviço de bordo aparece para fazer a validação. Quanto mais cedo comprar a passagem, melhores preços podem ser conseguidos.

Não fizemos nenhum passeio com os trens da Frecciarossa, mas pelas pesquisas nos blogs de viagem, compete em pé de igualdade com o famoso Italo. Fizemos uma foto, de dentro do nosso trem, mas eles passam tão rápido, que é quase impossível fazer uma boa foto.

Os trens da Trenord são os chamados “regionais”, por isso são mais baratos, percorrem todo o norte da Itália. São os trens para o dia-a-dia, dependendo do horário, não há bancos disponíveis e pode-se viajar em pé. Alguns vagões não tem ar-condicionado, são trens barulhentos e mais lentos (acredito que trafegam a uma velocidade em média de 100 km/h). Não precisei usar os banheiros, mas acho que não devam ser tão limpos. Os vagões não são, talvez pela grande demanda diária, pois tem muitas paradas. Distâncias um pouco mais longas, há trens melhores, de dois andares por exemplo. Foi o que pegamos para ir até Mantova, um trem bonito e limpo e pudemos comprar os bilhetes com uns dias de antecedência.

Esta foto mostra o fundo do nosso apartamento com as linhas de trens que passavam por Milão, a cada cinco minutos. Trens de todos os tamanhos, desde os simples até os mais sofisticados. Foi um grande movimento de trem passando um atrás do outro, pelo menos até próximo da meia noite.

Veneza

Chegando em Veneza, devolvemos o carro alugado no aeroporto Marco Polo e lá mesmo pegamos um ônibus (8 euros) até a Estação Santa Lúcia, pertinho do Grande Canal. Como é difícil andar com malas por lá, deixamos a mala maior num guarda-volumes, dentro da estação, aos módicos 12 euros por dia. Mas a tranquilidade de não carregar mala grande, não tem preço. Compramos o bilhete para o vaporetto (barcos para o transporte público) nos guichês em frente da estação e depois de um cafezinho, embarcamos e seguimos viagem de 12 minutos até a estação Ca’ d’Oro (4 paradas). Os quatro bilhetes custaram 30 euros com direito de levar as outras malas. O dono do apartamento foi nos buscar na estação, num final de tarde com vento e frio.

No dia seguinte, fizemos um passeio a esmo pelas ruas de Veneza. E na volta para casa, uma bela surpresa com decepção… dá pra entender? Bem, não conseguimos abrir a porta, pois ao sair deixamos uma chave na fechadura, por dentro. Resultado disso? Espera de uma hora até o proprietário ir nos socorrer.

Após pesquisar alguns gondoleiros, resolvemos fazer o famoso passeio de gôndolas pelos charmosos pequenos canais. Logo que entramos, o gondoleiro (com sua camisa listrada) e também cantor, soltou a voz com uma bela canção para nós. Muito chique, amei…

Passeios pelos pequenos canais, sendo o mais indicado já que não balança tanto e apenas uma volta no grande canal. Belas imagens, outras gôndolas passando por nós, vista dos casarios antigos e sua arquitetura e o gondoleiro nos mostrando alguns pontos que foram cenários dos filmes O turista e 007 Casino Royale.

Abaixo, fotos das duas pontes mais famosas de Veneza:

Nesta ponte há uma grande concentração de turistas a procura de uma pose perfeita para postar sua foto. Muitas selfies e também aqueles que ficam observando a passagem dos barcos.

Esta ponte tem um corredor que liga o Palácio Ducal com uma antiga prisão e reza a lenda que os presos que passavam por ali, davam um suspiro ao ver a luz do sol.

O grande canal com suas construções, casarios, estações de parada embarque e chegada dos barcos, dividindo as águas com os gondoleiros.

No domingo, muitas fotos na Praça São Marcos e fomos à missa na Igreja San Zulian, compra de souvenires e pizzaria à noite. Foram três noites na romântica Veneza e gostaria muito de ter a companhia do meu marido por lá. Quem sabe uma próxima viagem? No dia seguinte, às 10 horas, fomos à Estação Santa Lucia, para pegarmos trem de alta velocidade para Milão (falarei dos trens italianos em outro post). Retiramos a mala do guarda-volumes, compramos sorvete na Venchi e sanduíches para lancharmos no trem. Uma grande surpresa para meus pais, foi viajar neste trem, pois eles pensaram que faríamos nosso trajeto num trem comum, estacionado ao lado esquerdo do nosso trem.

Bréscia: tour rápido

Na volta de Sirmione, de trem e com parada obrigatória em Brescia, fomos conhecer o segundo castelo do dia. O castelo de Bréscia, um dos poucos pontos turísticos da cidade, na minha opinião. De celular com GPS à mão, mesmo sendo muito bem sinalizado com placas indicativas, fizemos uma caminhada de mais ou menos 30 minutos, saindo da estação ferroviária. O Castelo está situado no alto de uma colina e ocupa uma área aproximada de 75 mil metros quadrados. Foi uma caminhada cansativa rsrsrsrsrsrs, mas que valeu a pena, pois eu não imaginaria o que estaria por acontecer no final do passeio.

Já dentro da área do castelo, há uma praça central, onde encontramos belos jardins, uma luneta para observar a cidade e uma locomotiva a vapor de 1909, inaugurado em 1961, uma homenagem em memória do engenheiro Guiseppe Ottone.

E no término do passeio, como eu dizia lá no início, aconteceu o inesperado. Como era finalzinho de tarde, pudemos observar um pôr do sol simplesmente maravilhoso. Aqui fizemos muitas fotos, mas foi bem difícil a escolha do que postar. A vista da cidade lá do alto do Castelo é magnífica. Observem ao fundo, a cúpula do Duomo.

Apreciando o belo pôr do sol

As fotos acima, foram tiradas durante o percurso até o Castelo. No retorno para casa, para não perder o costume de já estar fora da montanha, passamos no mercado e fomos lanchar no McDonald’s do shopping. Chegamos em casa exaustos, mas felizes, pelos passeios do dia.

Segunda fase do processo e sua finalização

No dia 14 de janeiro, a assessora esteve em nossa casa, nos comunicando que nossa residência foi confirmada de forma automática e que portanto, o fiscal não passaria para fazer confirmação in loco. Isso indicou a segunda fase do nosso processo, o que nos deixou muito felizes. Desta forma, o Lê já ficou liberado para ir à Portugal no dia seguinte para resolver pendências com documentação do mestrado. Ficou lá por uma semana e eu fiquei na companhia da minha amiga Betina. Almoçamos juntas durante os dias seguintes, assistimos seriado, vimos filmes, muitas conversas. Num destes dias, comemos até frango com polenta feitos pela dona Rosy, que me puxou pelo braço e me levou até sua casa para buscar a comida.

Os dias foram passando e nós começamos ficar ansiosos à espera do andamento do processo. Soubemos que mais processos haviam chegado naquela cidade e que os servidores do comune estavam sobrecarregados com o excesso de trabalho. E ainda neste período de espera, faleceu o marido de uma funcionária, então tudo se acumulou por lá. Eu torcia muito para que pudéssemos assinar nosso processo antes da chegada dos meus pais, assim poderíamos fazer nosso roteiro de viagem pelo país, despreocupadamente. Porém, as coisas nem sempre acontecem como queremos, não é mesmo?

Passados pouco mais de dois meses, partimos da montanha, sem saber ao certo quando retornaríamos para assinar o nosso sonhado documento de reconhecimento de cidadania. Dez dias se passaram e quando estávamos no Coliseu em Roma, já na companhia dos meus pais, recebi uma ligação da assessora, dizendo que havia saído a “Non Rinuncia“, mais um passo importante no processo. Isto quer dizer que o Consulado Italiano atestou que o meu antepassado não se naturalizou brasileiro, ou seja, não abriu mão da sua cidadania italiana.

A partir daí, comecei a ficar ansiosa à espera da finalização, pois o mal do ser humano é querer tudo para ontem, porém são muitas burocracias e a cidade estava em período eleitoral. Por isso, os processos de cidadania foram deixados de lado. Parei um pouco para raciocinar e percebi que nada podia fazer, a não ser esperar que as coisas acontecessem do seu modo natural. Então… restava somente… aguardar.

Felizmente já estava fazendo turismo com a família, fato que aquietou meu coração. Resolvi deixar de lado todas as preocupações e angústias e entreguei tudo nas mãos de Deus, afinal Ele sempre me fortalece e nunca me desamparou. Eu sempre digo que Deus é quem me guia, é quem me mostra o caminho a seguir. E meu anjo da guarda é muito especial também. E assim os dias prosseguiram.